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Copa do Mundo: por que chegar ao topo não protege ninguém do esgotamento

Publicado: 21 de julho de 2026

TELUS Health

Content Marketing Team

Estádio de futebol lotado durante uma partida, com arquibancadas cheias e jogadores em campo sob céu azul.

Julho de 2026 teve a Copa do Mundo como pano de fundo. O mundo interrompeu a rotina para acompanhar os jogos, e por algumas semanas o esporte ocupou o centro das conversas. É também meio de ano, época em que muitos de nós revisamos as metas que traçamos em janeiro e sentimos que ficamos devendo. Gramado e escritório parecem mundos distantes, mas se encontram num ponto incômodo: nos dois, existe uma cobrança silenciosa por entregar cada vez mais, sem muito espaço para parar.

O que quase ninguém enxerga é que o sofrimento emocional não escolhe currículo, e o esporte é a prova mais visível disso. Uma metanálise que reuniu 49 estudos encontrou que cerca de 35% dos atletas em atividade apresentam sintomas moderados a graves de ansiedade ou depressão. Revisões sistemáticas mostram que atletas de elite têm taxas de transtornos mentais semelhantes, ou até mais altas, que as da população em geral. Chegar ao topo não blinda ninguém e por esse motivo, cuidar de si não é o que se faz quando sobra tempo, é a ferramenta que sustenta o desempenho ao longo dele.

Na prática clínica, três sinais costumam indicar que a alta performance passou do ponto e virou risco. O primeiro é o sono que não recupera: a pessoa dorme, mas acorda tão cansada quanto deitou. O segundo é a perda de prazer nas atividades que antes davam sentido, algo que Andrés Iniesta descreveu ao contar que, no auge da carreira, abraçar a esposa era como abraçar um travesseiro, não sentia mais nada. O terceiro é a irritabilidade constante, o pavio curto que denuncia um sistema no limite. Quando Simone Biles se retirou de provas olímpicas para se cuidar, ela colocou em palavras o que muita gente esconde: reconhecer esses sinais a tempo é o que separa uma pausa de um colapso.

Cuidar-se, na prática, tem pouco de banho de espuma e muito de decisão concreta: dormir o suficiente, dizer não ao que não cabe, buscar apoio antes do colapso e revisar metas que já não fazem sentido em vez de se punir por elas. Atletas de alto nível não vivem em pico o ano inteiro. Trabalham em ciclos, com fases de esforço e fases de recuperação, porque sabem que corpo e mente se fortalecem no intervalo, e não no esforço sem pausa. Fora do esporte, quase ninguém se dá essa mesma licença.

Se o meio do ano chega com aquela sensação de dívida, talvez o ajuste mais útil para os próximos meses não seja produzir mais e sim sustentar melhor o que já se produz. Autoacolhimento é conseguir olhar para o próprio ano com a gentileza que você teria com alguém de quem gosta. E isso não é só escolha individual: empresas atentas à saúde mental das equipes, como agora fomenta a atualização da NR-01, colhem colaboradores mais inteiros e mais presentes no longo prazo.

- Luciana Menestrino Gonçalves | Psicóloga Clínica & Mentora de Carreira | Formação em Psicologia Positiva - Universidade de Lisboa

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