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O impacto das apostas online sobre o bem-estar de crianças, adolescentes e adultos

Publicado: 11 de outubro de 2024

TELUS Health

Content Marketing Team

Quem ao menos passou os olhos pelas notícias nos últimos meses deve ter se deparado com as discussões em torno do impacto das apostas online na sociedade brasileira.

Com a popularização dessas plataformas (reconhecidas como “bets” e que chamam a atenção justamente pelo famoso “jogo do tigrinho” e seus similares), vem crescendo a preocupação sobre possíveis consequências graves.

Englobando desde a saúde mental até a capacidade de consumo das famílias, são várias as dimensões que podem ser afetadas por tal comportamento, sobretudo quando ele sai de controle.

Além disso, cresce o número de relatos de crianças e de adolescentes diretamente afetados, exigindo uma atenção urgente de todos os responsáveis.

Os danos do vício em jogos para a saúde mental

Há várias décadas a medicina reconhece o que costumeiramente é chamado de “vício em apostas” como um problema de saúde mental.

Atualmente, essa condição recebe o nome de Transtorno do Jogo. Anteriormente, o quadro já era denominado ludopatia ou jogo patológico.

Seja como for, esse fenômeno é compreendido como o padrão de apostas repetidas e que continua mesmo quando interfere em diversas áreas da vida de uma pessoa.

Embora o diagnóstico dependa da avaliação cuidadosa de um psiquiatra ou psicólogo, alguns sinais de alerta devem chamar a atenção para o problema. Entre os principais deles estão:

  • Pensamentos constantes sobre o jogo de azar.
  • Aumento das quantias apostadas para sentir a mesma satisfação.
  • Tentativas frustradas de parar de jogar ou ao menos reduzir o tempo dedicado à prática.
  • Irritabilidade sempre que tenta se afastar do jogo.
  • Realização de apostas em situações de estresse, ansiedade ou tristeza.
  • Busca por recuperar eventuais perdas.
  • Ocultação do envolvimento com o jogo perante pessoas próximas.
  • Perda de oportunidades profissionais por conta do hábito.
  • Empréstimo de dinheiro para continuar jogando.

Em paralelo, o indivíduo diagnosticado com transtorno do jogo pode apresentar ainda sintomas característicos de quadros de depressão ou ansiedade. Além disso, não é raro que essas pessoas também convivam com o abuso de determinadas substâncias (como álcool ou drogas ilícitas).

O peso financeiro das apostas e as crises familiares

O impacto financeiro do vício em apostas é igualmente devastador, inclusive entre pessoas cuja renda restrita já torna a organização das contas do dia a dia um desafio por si só.

Segundo levantamento do Instituto Locomotiva realizado em agosto de 2024 com pouco mais de 2 mil pessoas de 142 cidades brasileiras, cerca de 86% dos jogadores têm dívidas e 64% estão com os nomes incluídos em listas de devedores.

A pesquisa constatou que 45% dos entrevistados jogadores admitem que as apostas já causaram perdas financeiras.

Enquanto isso, 37% dizem ter usado dinheiro destinado a outras coisas importantes para continuar apostando. Por fim, 30% afirmaram ter “prejuízos nas relações pessoais” por conta do jogo.

Com isso, muitos jogadores compulsivos acabam comprometendo o sustento doméstico e gerando conflitos no núcleo familiar, em um ciclo de difícil resolução.

O impacto das apostas online em crianças e adolescentes

O cenário é ainda mais preocupante quando se considera o envolvimento de crianças e adolescentes. Profissionais e pais de alunos estão cada vez mais se deparando com a presença do jogo nos ambientes escolares.

Até então, não existem dados específicos ainda sobre a realidade brasileira nesse segmento etário. No entanto, estudo da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) de 2021 revela que 22% dos adolescentes norte-americanos começaram a apostar com 11 anos ou menos.

A combinação de estética chamativa, as mecânicas de recompensas imediatas e as armadilhas que incentivam uma exposição precoce é a receita que coloca esses jovens em risco.

Como o cérebro nessa idade é mais suscetível a essa enxurrada de estímulos, o vício em jogos pode resultar em desequilíbrios emocionais e dificuldades de socialização, com reflexos também na vida adulta.

Orientações básicas para lidar com crianças e adolescentes diante dos jogos

Os responsáveis por uma criança ou adolescente que apresenta um comportamento problemático relacionado a esse tipo de hábito devem sempre:

  • Conversar de forma amigável sobre as experiências da criança com esses jogos, criando um espaço de confiança.
  • Explicar o risco do vício (tanto financeiros quanto para a saúde) e demonstrar porque ele pode ser tão prejudicial.
  • Ficar atento aos influenciadores com os quais a criança tem contato, já que esse é um veículo comum de promoção dessas plataformas.
  • Restringir o acesso do jovem aos dispositivos eletrônicos, principalmente na escola e durante outras atividades.

O que está sendo feito para regulamentar as apostas online

O governo brasileiro sancionou a lei Nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, com o objetivo de regulamentar e minimizar os danos causados por plataformas de apostas a partir de janeiro de 2025.

A legislação tem abrangência sobre os chamados jogos de quota fixa (apostas em resultados esportivos) e aplicações cujo resultado se dá a partir da distribuição de números aleatórios, similares àqueles de cassinos.

A lei impõe limites de tempo de uso, bloqueio de cadastros de jogadores compulsivos, idade mínima para cadastro e campanhas educativas sobre os riscos do vício, entre outras medidas para conter o risco de dependência. Apesar de importante, tudo isso, em muitos casos, pode não ser suficiente.

Dicas práticas para ajudar quem está enfrentando problemas com o jogo

Se você ou alguém próximo está enfrentando problemas com jogos de azar, algumas medidas podem ajudar na recuperação do controle:

  1. Reconhecer o problema, uma vez que admitir que o jogo está causando prejuízos emocionais e financeiros é o primeiro passo.
  2. Estabelecer limites e definir regras claras sobre o tempo e o dinheiro gastos em jogos.
  3. Procurar ajuda profissional com psicólogos e psiquiatras. Eles podem indicar o tratamento adequado para o transtorno. Isso pode incluir psicoterapia e, em alguns casos, medicação.
  4. Envolver a família e contar com uma rede de apoio, algo fundamental na superação da compulsão.

Pessoas em cargos de gestão preocupadas com o rendimento e o bem-estar de seus colaboradores devem atuar para identificar possíveis sinais de comprometimento com tais motivações dentro do ambiente de trabalho.

Pode haver interferências sobre indicadores de absenteísmo e produtividade, por exemplo. Oferecer ferramentas de suporte psicológico pode ser uma estratégia inicial eficaz para abordar a questão.

Em resumo, o impacto das apostas online sobre o bem-estar mental, as finanças e os relacionamentos são nítidos. Crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis, tornando fundamental o fortalecimento de campanhas de conscientização. Assim, a assistência de profissionais de saúde mental é essencial para gerenciar adequadamente cada quadro.

Este conteúdo foi elaborado pela equipe da CARE Global Partners, sempre pensando no seu bem-estar e no cuidado com aqueles que você ama.

Referências

“Pandemia” de bets avançou mais rápido que surto da covid-19 no Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-08/pandemia-de-bets-avancou-mais-rapido-que-surto-da-covid-19-no-brasil

What is Gambling Disorder?

https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder

Crianças e adolescentes brasileiros sob risco de mais exposição a apostas online

https://andi.org.br/infancia_midia/criancas-e-adolescentes-brasileiros-sob-risco-de-mais-exposicao-a-apostas-online/

A study of adolescents’ knowledge, attitude and practice to gambling

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